Therapy? – Crooked Timber

Postado em Resenhas com as tags , em Março 31, 2009 por holopanen
Therapy? - Crooked Timber

Therapy? - Crooked Timber

Quando Therapy? começou a ganhar projeção lá pelos idos anos 90, evetualmente tentavam colocá-los no mesmo balaio do Nirvana e outras bandas que faziam aquele punk-pop do trio de Seattle. Outros ainda forçavam a barra insistindo em outro rótulo pior: sim esse mesmo – o grunge. Mas até aí morreu o Neves, porque naquela época tudo era grunge: Alice In Chains era grunge, Helmet era grunge. Enfim, todo mundo era o próximo Nirvana ou o próximo – bleh – Pearl Jam.

Eu não sei até que ponto isso chegou a atrapalhar a carreira da banda, mas eu acredito que eles foram uma das bandas subestimadas que sobreviveram áquela época. Certamente eles não lançaram um disco que tivesse sucesso suficiente para torná-los grandes o suficiente a ponto de torná-los memoráveis. Mas sempre foram uma banda que lidava com bastante liberdade com seu som e eu particularmente sempre os achei interessantes.

Até porque uma banda irlandesa que abre um disco gritando “EU VOU VOLTAR BEBAÇO E TE FODER!” (“Knives” de Troublegum, 1992) merece um pouco de atenção. Talvez só os Pogues poderiam brindar-nos com tal singela poesia.

Mas corta para 2009 e o Therapy chegou vivo até com este “Crooked Timber” produzido por Andy Gill, do Gang of Four. Temos aqui o Therapy com muito do punch do começo da carrreira, mas a mao de Gill traz uma sonoridade mais cáustica ao pós-punk da banda com uso de efeitos e dando um ritmo mais marcado ao disco. Ouve-se muito baixo distorcido com as guitarras, criando camadas e deixando um som mais “visual”. Acho que uma referência aqui seria um Killing Joke mais pop.

No fim das contas, ponha o álbum e deixe tocar. Talvez você não lembre das músicas novamente mais tarde e por isso mesmo, vai se surpreender apertando mais de uma vez o repeat do seu player.

Grandes Momentos da Porrada – Sick Of It All

Postado em Grandes Momentos da Porrada, Prediletos da Casa com as tags , , , , em Março 29, 2009 por holopanen

Qaundo escrevemos recentemente sobre o  Rumpelstiltskin Grinder acabamos falando de 1992, rodas de pogo e outras coisas de um tempo bom que não volta nunca mais. Lembrei-me de um show do Motorhead que eu fui no Opinião aqui em Porto Alegre, onde as coisas na frente do palco transcorriam bem até que resolveram tocar “Sacrifice”. Depois disso o que se viu foi um verdadeiro redemoinho humano, cerveja voando, gente sendo carregada e o vento das caixas de som “SACRIFICE! SACRIFICE!”. Uma beleza.

Acho que um vídeo que pode representar este espírito – e na opinião deste que vos fala um clássico – é o Sick of It All com seu Manual do Pogo “Step Down”. Fica tambéma sugestão para você de ouvir algo mais destes caras.

Mas enfim, Sick of It All nos mostra como se faz em mais um Grande Momento da Porrada. Oi! Oi! Oi!

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Postado em Palavra do Editor com as tags , , em Março 25, 2009 por holopanen

Pois é, criatura das hordas! Agora você acompanhar o CP no Twitter!

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Rumpelstiltskin Grinder – Living for Death, Destroying the Rest

Postado em Prediletos da Casa, Resenhas com as tags , , , , , , em Março 23, 2009 por holopanen
Rumpelstiltskin Grinder - Living for Death, Destroying the Rest

Rumpelstiltskin Grinder - Living for Death, Destroying the Rest

Este disco é um dos meu prediletos deste ano desde já. Eu devo dizer que não comprei praticamente nenhuma das bandas de retro-trash que estão aparecendo nos EUA (Black Tide, Warbringer, Unearth, etc) mas este Rumpelstiltskin Grinder (tente dizer esse nome bêbado) realmente entrega o pacote completo e com algumas cositas a más: Metallica, Anthrax, Nuclear Assault e Slayer permeiam esse disco com bumbo duplo a mil e riff melódicos – aham – punkálizados para repentinamente enfiar o pé na porta com metralhadas grind/black. Nos shows a coisa deve ficar feia nas rodas de pogo.

Pra você ouvir com aquela sua jaqueta de brim com patch gigante do Slayer nas costas e tẽnis de língua grande. 1992 está de volta.

Rumpelstiltskin Grinder@myspace.com

Leviathan – Massive Conspiracy Against All Life

Postado em Resenhas com as tags , , , em Março 23, 2009 por holopanen
Leviathan - Massive Conspiracy Agains All Life

Leviathan - Massive Conspiracy Agains All Life

Você já deve ter notado que estamos passando por uma fase Black Metal aqui no CP. Esse deve ser o terceiro ou quarto álbum consecutivo desse gênerozinho ranheta, danado de ouvir. E eu estava justamente pensando nisso e comecei a procurar outras bandas para sabe como é, dar uma variada.

Aí, eu me deparo com este Leviathan e ferrou com tudo. Lá vamos nós de novo falar de BM novamente.

Cada dia que passa eu me convenço que os americanos têm promovido a renascença no gênero, jogando com outros estilos e trazendo elementos novos. Bom, tem outros países exportando BM de boa qualidade também, como a França e o Japão.

Mas eu não vou tomar o seu tempo com aquela ladainha sobre blastbeats, climas, blá-blá. Esse Leviathan é a trilha sonora de uma viagem de ácido com veneno de rato. Bem produzido – você ouve a bateria, não alguém batendo em panelas como de costume – e com uma massa brutal de riffs. Riffs mesmo, não aquelas motosseras de costume.

E tudo isso é feito por um demente só chamado Jeff Whitehead. Que disco. REPEAT.

Saiba mais do Leviathan – a banda de um homem só no AllMusic e no selo da banda, Moribund. Não tem Myspace, bidu.

Melechesh – Emissaries

Postado em Prediletos da Casa, Resenhas com as tags , , , , em Março 16, 2009 por holopanen
Melechesh - Emissaries

Melechesh - Emissaries

SUMERIAN TRASHING BLACK METAL!

Tudo bem, eu digo de novo:

SUMERIAN TRASHING BLACK METAL!

É com este gênero inusitado que os israelenses (!) do Melechesh, classificam seu som. Eu devo que em geral desconfio dessas misturas de ritmos regionais com heavy metal por que sempre me parece que alguém vai acabar criando um “heavy metal universitário” ou coisa assim. Não que eu tenha preconceito com a mistura de ritmos, afinal eu sou um daqueles caras que “Roots” um tremendo disco, com timbalada e tudo.

Mas o fato é que misturar ritmos do oriente médio com aquele ritmo – como é mesmo o nome? ah é! – black metal  parece a receita para um indigestão certa.

Mas eis que a turma de Melechesh Ashmedi – sim, a banda é dele -  faz exatamente um STBM de altíssima qualidade, e – aha! – não espere nenhum Hava Nagila perdido neste disco.  Aqui as influências locais se fazem presentes na cozinha eficiente e nas guitarras, inclusive com o uso de instrumentos típicos e isso funciona muito bem. A porrada épica come solta no disco deixando o frio das florestas nórdicas para o calor infernal do Oriente Médio. E tome-lhe blastbeats com guitarras orientais épicas!

Muito criativo e interessante, lançado em 2006 ainda assim atual e a frente de muitos contemporâneos. Com Melechesh, o futuro do – aham: (atenção caixa de eco)

SUMERIAN TRASHING BLACK METAL!

está garantido.

Melechesh@myspace

Mastodon – Crack the Skye

Postado em Prediletos da Casa, Resenhas em Março 6, 2009 por holopanen
Mastodon - Crack The Skye

Mastodon - Crack The Skye

Eu vou direto ao assunto: este novo Mastodon não tem a insanidade sonora de Leviathan e Remission e nem pense em esperar o death-quase-hardcore de Call Of Mastodon, que era uma coletânea de material do início da banda. Crack The Skye pode ser considerado uma derivação do estilo de Blood Mountain, onde a banda optou por mais progressões e menos agressões, se é que você me entende.

Este disco é na verdade de um outro Mastodon.

Depois de ter ficado um bom tempo de molho nos hospital após ter sido quase desmontado a socos em uma briga – que ele começou – Brent Hinds passou a ouvir muito southern rock e outros tipos de música fora dos grotões do heavy metal. Também imagino que quando se está com a cabeça literalmente meio fora do lugar, não deve ser lá muito recomendado ouvir Slayer a todo pau. Ordens médicas, sabe como é. Hinds afirmou que muito do que ele ouviu neste período de descanso e reflexão certamente influenciariam o material que banda iria produzir no próximo trabalho. Principalmente o southern rock, o que não é exatamente um surpresa quando se fala de uma banda da Georgia.

Aliado a isso, a contratação de Bredan O’Brien que é conhecido produtor de rock  (e porcarias como Pearl Jam e Stone Temple Pilots) criou uma expectativa (e um pouco de medo também) do que aconteceria  com o Mastodon em seu próximo disco.

Pois bem, agora que vamos falar finalmente da música, devo dizer-lhes que foi difícil chegar a uma opinião para poder escrever-lhes as mal traçadas linhas desta resenha. E a maioria das pessoas com que falei sobre este disco também hesitava em dar um veredito sobre o álbum. Depois de ter me dado conta que só o fato de ter criado esse questionamento em mim e perceber  que estava ouvindo o disco sem parar a três dias é ficou claro a qualidade desta obra.

Este Mastodon é um disco de hard rock – ou math rock – excelente.

Eu acho que a opção da banda de cantar praticamente todas as faixas com vocais limpos fez muita diferença no conceito final do álbum. Esta opção deve deixar os mais radicais decepcionados, mas também pode ajudar a banda a atingir um público que não acostumado ao seu som. E mesmo com tudo que falei até agora sobre mudanças e transformações meu amigo, o bom e velho Mastodon não perdeu a qualidade. A bateria de Brann Dailor continua a mesma máquina de precisão confiável de sempre, mas este disco é feito de guitarras. Elas se entrecortam em melodias e harmonias, dissonâncias e escalas infinitas, despejando riffs brutais em alguns momentos e em outros criando atmosferas quase etéreas.  É um trabalho cerebral, mas ao mesmo tempo cheio de energia e emoção.

Existe ainda um quê inexplicável neste disco e aí mesmo é que está sua beleza. Nota 10.

PS 1: Espere mais um pouco para conseguir sua cópia de Crack The Skye. A que rola pela Internet está sem a última faixa e foi ripada a 128K, o que é um crime.
PS 2: Não deixe de visitar o belo site oficial do disco no link abaixo.

Mastodon | Crack The Skye

Blut Aus Nord – Memoria Vetusta II – Dialogue With The Stars

Postado em Prediletos da Casa, Resenhas com as tags , , , em Março 5, 2009 por holopanen
Blut Aus Nord - Memoria Vetusta II - Dialogue with Stars

Blut Aus Nord - Memoria Vetusta II - Dialogue with Stars

Como posso traduzir esta obra-prima destes franceses para você, meu caro leitor? O rótulo Black Metal é insistemente lembrado e fãs mais puristas (ou mais radicais) tendem a criticar a banda pela sua postura musical avant garde. Veja, este não é mais um disco do Marduk ou de algum clone corpse painted que tanto se vê. Este disco é sim de Black Metal, mas não só isso.

Todos os ingredientes para a serenata do capeta estão nesta panela, mas este chef tem seu molho secreto. Este é um disco de um dos estilos mais radicais de heavy metal cuja espinha dorsal é paradoxalmente melódica. Existe sim o blastbeat e as guitarras cortantes de sempre, mas também a banda faz várias escolhas certas, medindo muito bem a quantidade e a maneira de cada ingrediente na poção: sombrio e profano, mas não tétrico; brutal e violento, mas também angustiante, melancólico e depressivo; os teclados dão o clima gótico que permeia o disco. Eles são etéreos e imponentes, mas não pomposos ou infantilóides como muitas bandas que sofrem da “ditatura” das sinfonias.

O Blut Aus Nord fez um disco que cabe perfeitamente no estilo onde está inserido, justamente por quebrar várias de suas regras. Nada menos que excepcional.

Blut Aus Nord@myspace.com

Absu – Absu

Postado em Resenhas com as tags , , , em Março 5, 2009 por holopanen
Absu - Absu

Absu - Absu

O Absu, estes texanos da velha guarda do Black Metal americano lançam este disco auto-intitulado após alguns anos de silêncio. Alta qualidade técnica e criatividade, onde mesmo nos momentos de br00tality ainda assim a banda consegue mostrar talento criando climas e usando progressões com sabedoria. Apesar do rótulo BM, temos forte influência do death americano aqui, principalmente pelo estilo mais bluesy das guitarras. Na verdade, acho que ouvi uns ecos do próprio Death (a banda) ao longo do disco. Faz sentido para uma banda que começou em 1989, quando a Noruega era apenas um próspero país da Escandinávia e o Black Metal ainda não era esse gárgula de asas enormes.

Além disso, a banda traz intervenções sinfônicas que – pelo menos para mim – demonstram certa influência do rock progressivo do anos 70. Preste atenção aos teclados e você entenderá o que eu digo.

Devo dizer que fiquei realmente tentando a ouvir mais do “Black Metal Texano”, esse estilo maroto. Estou indo atrás dos discos anteriores e voltaremos a falar destes caras em breve aqui no CP.

Ah e por favor, ouça esse disco.

Absu@myspace.com

Grandes Momentos da Porrada – Misery Index

Postado em Grandes Momentos da Porrada, Prediletos da Casa com as tags , , , , em Março 4, 2009 por holopanen

Crise mundial, guerra em Gaza, corrupção no Brasil, aquecimento global, Caminho das Índias, emocore… pois é, o mundo já teve dias melhores até na Idade Média.  E as perspectivas para o futuro não são exatamente boas. Só uma das melhores bandas de Death Metal da atualidade é capaz de puxar o côro contra os culpados: “TRAITORS! TRAITOOOOOORS!!!!”

Misery Index põe dedo na ferida em mais este Grandes Momentos da Porrada